Hoje venho contar como foi o parto da minha princesa Luna e seu terrível desfecho.
Na época eu tinha 16 anos e engravidei do meu namorado da época, como meu desejo sempre foi ser mãe, em momento nenhum eu pensei em desistir da gravidez e interrompê-la, tive o apoio total da minha família.
Durante a gravidez, eu fiz o pré-natal certinho, fiz somente duas "ultra", que pra mim eram radiação suficientes para o bebê já e engordei, e como engordei, foram 26 quilos a mais, sendo a maioria deles adquiridos na reta final da gestação.
Quando estava com 38 semanas, sentia um pouco de dor na lombar, mas o médico me disse que era normal, então segui sem reclamar, numa tarde, com 41 semanas, a dor estava insuportável e resolvi tomar um banho para alivia-la e durante ele eu senti minha barriga descendo e o liquido da bolsa escorrendo pela minhas pernas. Fiquei tranquila, terminei o banho e liguei para o corpo de bombeiros e informei que estava de bolsa rota, porém sem contrações, e eles prontamente mandaram uma ambulância para me buscar e me levar ao hospital. O bombeiro que me buscou, brincou comigo e disse que eu teria que trabalhar muito pra comprar fralda e leite, que os bebês consumiam muito, ele foi muito atencioso comigo, claro que percebeu que estava muito nervosa.
Minha internação foi as 18:15, na Santa Casa da minha cidade, fiquei sozinha no hospital, não permitiram nenhuma companhia, apesar de na época eu ter apenas 16 anos. Como disse acima eu estava completamente sem dor, mas logo colocaram eu no soro de ocitocina sintética, e logo a dor veio, e amigas, ela veio com força! No quarto onde fiquei, tinham mais 4 gestantes em trabalho de parto e todas elas gemiam muito, e assim como eu, estavam todas sozinhas, tentávamos nos apoiar, mas a dor de algumas parecia tão dilacerante, seja por medo, angustia ou solidão, que elas mal conseguiam se expressar direito. Quando deu meia noite, me dei conta que já era dia das mães (14/05/2006) e eu como queria caminhar um pouco, sai pelos corredores, escondido das enfermeiras, e fui visitar as outras mamães que já tinham ganhados seus bebês e estavam no quarto, para desejar a elas um feliz dia das mães.
Voltei para o quarto já eram mais de 2 horas da manha e a dor seguia latente. Acho que naquela noite fizeram uns 15 exames de toque, pelo menos, e cada hora era uma pessoa diferente que o fazia, aquilo foi muito desconfortante para mim, me lembro com tristeza.
Quando deu 6 e meia da manha, uma enfermeira entrou no quarto e pediu que eu deitasse na cama e empurrasse a cabeceira da cama, para ajudar a Luna a "descer", meia hora depois a obstetra do turno do dia entrou, fez mais um toque e disse que eu já seria levada para a sala de parto, que já tinha dilatado tudo. Porém, nessa hora a menina do lado começou a gritar e quando foram olhar a cabeça do neném dela já havia nascido, assim, ela me disse que eu esperaria ela atender a outra e logo depois seria eu, essa é a ultima coisa que me lembro com clareza, ela me dizendo que já voltava para me buscar.
A partir daqui o que tenho são flashs de lembranças e o relato das pessoas que estavam a serviço na maternidade aquele dia.
Eu entrei na sala de parto já com eclampsia e logo depois tive uma convulsão, ai os médicos e enfermeiros amarraram meus braços e pernas na mesa de parto e pediam que eu fizesse força e parasse de me debater - efeito da convulsão - como se isso fosse algo que eu estivesse fazendo de propósito. Me lembro de momentos do anestesista gritando comigo, dizendo que eu estava matando meu bebê. Isso são palavras que jamais conseguirei apagar da minha mente.
A minha bebê coroou e saiu a cabecinha dela até a altura da testa, porém como eu desmaiei eu parei de fazer força e consequentemente o parto não evoluía, usaram o fórceps, me cortam e muito (levei 45 pontos), ai nesse momento, acreditem, a médica que estava atendendo começou a passar mal e chegou a desmaiar -relato das enfermeiras que estavam de plantão - e foi preciso chamar o médico responsável da época, para finalizar o parto. Quando ele chegou, queria "empurra" o bebê de volta e fazer uma cesárea, mas uma das enfermeiras pediu para tentar uma ultima vez fazer a manobra de
kristeller e o médico permitiu, ela então subiu na mesa, nesse momento eu estava recobrando os sentidos, e empurrou com a perna, e a Luna então saiu de uma vez só, e então houve o silencio, os minutos mais ongos da minha vida, até que começasse a gritaria dos médicos e enfermeiros, dizendo para tentar reanima-la, porém, nisso já eram 9 e meia, 1 hora e meia depois do começo do parto e ela já tinha ficado muito tempo sem oxigênio e infelizmente foi dada como natimorta, ou seja, criança nascida morta.
A médica 1, então trouxe ela para eu ver e me deu a pior noticia do mundo, a de que minha princesinha infelizmente não sobreviveu a toda violência obstétrica que ela sofreu.
Me desmanchei em lagrimas e desespero, não sabia o que pensar, não queria acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. E ai, me doparam, apaguei e fui recobrar os sentidos as 13h da tarde, daquele ensolarado dia das mães, sozinha, em um quarto frio, a essa altura meus pais já tinham chegado e estava lá embaixo, resolvendo os tramites para a liberação do pequeno corpo da minha princesa.
Pedi que me trouxessem ela, mas se recusam, então pedi que me levassem lá, e negaram também, mas mesmo assim, peguei uma cadeira de rodas e desci três andares até o necrotério do hospital, onde estava o corpinho dela, a troquei e segurei minha princesa pela primeira e ultima vez com sua sua roupinha de saída de maternidade que eu passavas horas imaginando ela usando. Na testa a faixinha linda rosa cobri ao roxo que ficou da compressão do meu períneo sobre ela. Ela nasceu grande 54 cm e 4.200 gramas, branca, como futuramente seria sua irmã Lara e linda!
Não fui liberada para ir ao enterro dela, que foi no mesmo dia as 15 horas, mas me liberaram para ir para casa as 17:30. Com muita dor física e emocional. Meus pontos inflamaram e 3 dias depois tive que retornar ao hospital, porém, misteriosamente, minha ficha havia sumido e está assim até hoje.
Já faz 8 anos que minha primogênita se foi e não há um dia que não me lembre dela, de como ela estaria hoje, de todos os dias de sua vida que me foram roubados. Mas entreguei minha dor ao meu Deus, que nunca me desamparou e ele me deu forças para seguir em frente e depois de dois anos eu pude dar a luz a uma outra garotinha, Lara, em uma sexta feira 09/05, dois dias antes do dia das mães!
Sei que nada no mundo jamais apagará minha dor, mas por mais difícil que pareça, sempre podemos recomeçar, claro, sempre haverá uma marca que lembrará aquilo que vivenciei!
Esse post não tem como objetivo criticar o parto normal, muito pelo contrário sou uma militante para divulgação do parto humanizado, mas sim para alertar as futuras mamães, para que se informem, procurem, leiam, entendam cada fase da gravidez e de cada tipo de parto, para que vocês saibam exatamente o que está acontecendo e possam fugir dessas tristes violências obstétricas!
E semana que vem eu trago o relato de parto da minha princesa Lara, que foi meu presente, meu recomeço!
Até lá!
E pra quem quiser contar sua história aqui também, basta mandar um email contando tudo para
dedicacaodemae@gmail.com
Ficaremos felizes em compartilhar sua história aqui :)
Beijos